Glamorizaram a Prostituição — Mas Esqueceram de Olhar Para o Passado
Por Ellen Porto
A sociedade adora fazer pose de moralista. Julga, critica, aponta o dedo — sempre com aquele ar de superioridade que mascara séculos de contradições. Porque, convenhamos, ninguém começou a discutir “moral” quando mulheres realmente não tinham escolha nenhuma.
Vamos ao dote.📣
(Ao casamento arranjado.)
À velha prática em que o pai negociava a filha como parte de uma transação: terra, dinheiro, gado, status. Ele era o intermediário do acordo, definia valor, prazo, benefícios e expectativas. A filha? Sem voz. Sem decisão. Sem direito de discordar. Casava com quem o pai negociava, tinha que transar, servir, parir e obedecer. Um pacote completo de obrigações vendidas como tradição familiar.
Pela régua moral atual, é impossível não questionar:
Esse pai era provedor… ou cafetão oficial da família?
E antes que digam que isso ficou no passado, vale lembrar: em várias culturas, esse modelo continua firme e forte ( e muitas das vezes envolve meninas para casar com homens adultos ) ISSO É CRUEL, ISSO É NOJENTO!
Hoje, a cena mudou.
A mulher conduz o próprio roteiro. Decide preço, limites, clientes, frequência, regras. Define o que faz, quando faz e, principalmente, se faz. Autonomia total. Protagonismo absoluto.
E aí a hipocrisia aparece:
Quando a mulher não podia escolher, tudo era “normal”.
📣Quando ela escolhe, incomoda.
➡️O problema nunca foi a prostituição.
➡️O problema sempre foi a falta de poder nas mãos da mulher.
💥E agora que ela é dona do próprio dote, com autonomia, estratégia e decisão?
A verdade é simples:
➡️a sociedade hipócrita não está preparada para lidar com mulheres donas dos seus próprios dotes.

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